EM PARNARAMA, PRÉDIOS EM RUÍNAS AGONIZAM E RETRATAM O DESPREZO PELA HISTÓRIA


Os prédios supra, em ruínas, foram edificados com a argamassa do sentimento cívico e pelas mãos calosas dos operários parnaramenses, tudo sem ajuda da arquitetura moderna e sem a tecnologia de agora, mas com o conhecimento natural e o amor que sempre norteou a alma de um povo heroico e leal.
O primeiro, foi construído no lugar Terra Nova, pelo comerciante, latifundiário e político José Torres de Assunção, ali residente, que sob o mesmo teto, mantinha um empório (comércio), com um sortimento amplo e variado. O respeitado e exitoso comerciante mantinha intercâmbio comercial com as praças de Floriano, Teresina e Parnaiba, no Piauí, através do transporte fluvial pelas águas límpidas e mansas do então navegável rio Parnaíba.
Quando na segunda metade da década de 1940, um grupo de políticos liderado pelo prefeito Lauro Barbosa Ribeiro, de São José dos Matões, teve a ideia de mudar a sede municipal para o lugar Terra Nova, localizado às margens esquerdas do rio Parnaiba, José Torres de Assunção foi persuadido a se incorporar ao movimento, e sua empolgação foi tão forte que o fez doar as terras para a implantação da nova sede municipal. Naquela velha casa, agora em ruínas, nasceram os filhos do respeitado comerciante, entre os quais a única procuradora de Justiça do Estado, filha de de Parnarama, a Dra. Jucileide Torres do Amaral Buriti, de saudosíssima memória.
O sobrado acima, localizado no cruzamento das avenidas Carolina e Araioses, foi construído pelo ex-sanfoneiro, ex-prefeito e empresário rural Bernardino Pereira da Silva ( Nôga Silva), que também se integrou ao grupo de fundadores da cidade, vindo depois a exercer dois mandatos de prefeito da Terra das Palmeiras.
Hoje, decorridos 76 anos da instalação da nova sede municipal em 1949, ver-se com profunda tristeza e decepção o nítido desinteresse pela preservação da história. Os prédios em ruínas, se pudessem falar ecoariam gritos e gemidos de socorro. Contudo, infelizmente, esse clamor da história ferida de morte, não é ouvido pelas autoridades insensíveis que têm como coadjuvante uma grande parcela de uma sociedade genuinamente movida pelos interesse políticos, imediatistas e pessoais.
Com a revitalização desses prédios, far-se-ia Justiça não apenas em manter viva a história, como também em prestar justas reverências póstumas a dois grandes vultos de uma história que arqueja em ruínas no leito da morte e do abandono.
J. J. Pereira - jornalista DRTMA 00613JP é curto e grosso


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